sexta-feira, 1 de abril de 2011

Análise do livro "Eu e outros Poemas" Augusto dos Anjos

. Comentário da obra
.1. Estilo

Em linhas gerais, 'Eu e Outras Poesias' representa a soma de todas as tendências e estilos dominantes desde o final do século XIX até o início do século XX. Em outras palavras, sua obra recebe influência do Parnasianismo, do decadentismo, do Simbolismo e ainda antecipa uma série de características modernistas. Em face disso, podemos dizer que, na realidade, Augusto dos Anjos não se filiou, com exatidão, a nenhuma escola em particular, produzindo, desse modo, uma obra múltipla e personalíssima [até mesmo com um vocabulário naturalista ].

Entre as suas principais características, temos, além da linguagem científica e extravagante, a temática do vazio da coisas [ o nada ] e a morte [ finitude da vida ] em seus estágios mais degradados: a putrefação, a decomposição da matéria.Simultaneamente, reflete em seus versos a profunda melancolia, a descrença e o pessimismo frente ao ser e à sociedade, elaborando, assim, uma poesia de negação: nega as falsas ideologias, a corrupção, os amores fúteis e as paixões transitórias:

'Melancolia! Estende-me a tua asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...
Se algum dia o prazer vier procurar-me
Dize a este monstro que eu fugi de casa!'

2.2. Influências estéticas

Mal abrindo o livro, logo percebemos a influência parnasiana, expressa no forte rigor formal: são sonetos e poemas mais longos, predominando os quartetos, todos com versos isométricos e rimados, quase todos decassílabos.

Ao mesmo tempo, emergem com força as influências do Simbolismo, explicitadas pela sonoridade dos versos [ ritmo, rimas, aliterações ], pelo uso de iniciais maiúsculas em certos substantivos comuns e por alguns aspectos temáticos, como o ideal de transcendentalismo e a angústia cósmica, entre outros.

Por outro lado, ocorrem na obra índices da modernidade, pois, além da linguagem agressiva, por vezes coloquial, o poeta incorpora em seus versos tudo o que é podre e sujo, realizando, em certos momentos, crítica e denúncia social.

Recorrendo com freqüência às imagens da larva e do verme, o poeta do hediondo opera a dessacralização do poema, a desvinculação da palavra poética com o 'belo'.

Concluindo, Augusto dos Anjos caracteriza-se por ser um poeta 'sui-generis', único em nossa poesia. A sua temática, a dos sofrimentos e angústias do homem, reflete, enfim, algo profundo e universal: 'Grito, e se grito é para que meu grito / Seja a revelação deste Infinito / Que eu trago encarcerado na minha alma!
Versos íntimos 

“Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!”



1. Análise
 Num plano de leitura bem concreto, é possível depreender a
isotopia de um enterro. O eu lírico encontra-se no sepultamento
da última quimera de alguém, sendo que esse alguém pode ser
ele próprio, de modo a constituir uma locução, cujo
interlocutário pode ser tanto o próprio interlocutor, coincidindo
os atores no nível discursivo, ou um ator diferente. Tanto num
caso como no outro, o indivíduo que trava uma conversa num
enterro, e que normalmente profere palavras de consolo, 3
mesmo quando é consigo próprio, aparece aqui um tanto
quanto revoltado, pois constata que o “cemitério” está vazio, e
que só a ingratidão compareceu. Ou seja, as pessoas, que foram
beneficiadas pelo interlocutário antes de ele se desgraçar, não
se preocuparam com seus problemas, na hora em que precisou.
 Na segunda estrofe, com “Acostuma-te à lama que te
espera”, afirma-se que essa ingratidão irá se repetir no futuro.
Adiante, inicia-se a argumentação de que tirar proveito, ser
apoiado e não retribuir, é uma característica inerente ao
homem, e que, ao contrário da surpresa ou indignação, o
enunciatário deve se acostumar, ou seja, não esperar algo
diferente. Segue, então, uma pequena explicação do  motivo
que teria levado o ser humano a se tornar assim. De modo
semelhante ao “homem lobo do homem” de Hobbes, a
ferocidade social causaria a ferocidade individual, porque num
sistema assim estabelecido, não haveria como sobreviver de
outra forma se não pelas que vigem. Note-se que as  figuras
utilizadas por Augusto dos Anjos são muito semelhantes às do
filósofo do contrato social: pantera e fera – lobo  pode ser
considerado como uma fera.
 No primeiro terceto, há uma espécie de comemoração.
Propõe-se algo como um brinde à realidade, disforizada no
início, no qual a bebida é substituída pelo cigarro. Nos versos
subseqüentes, as figuras do escarro e do apedrejamento,
antecedidas pelo beijo e o afago, podem ser tanto interpretadas
como a ingratidão, porque alguém recebe carinho e devolve
uma agressão, como a volubilidade, se o carinho e a agressão
forem entendidos como modos de ser de uma mesma pessoa –
num dia, ela é carinhosa, e no outro, agressiva. No segundo
terceto, pode-se depreender o seguinte raciocínio: se o mundo
funciona à base da ingratidão, não deixe que a gratidão
apareça, e faça-o de modo a ser ingrato também. Mantendo a
coerência figurativa da isotopia do enterro, poder-se-ia dizer
que se alguém aparecesse para consolar o interlocutário de
luto, esse alguém deveria ser maltratado. E assim,  dentre a
ingratidão e a volubilidade, que podem ser encontradas nos
versos anteriores, a paixão anterior parece ser mais adequada,
porque grande parte do poema, incluindo seu final,  contém
elementos que se referem a ela, enquanto a volubilidade só
pode ser depreendida num pequeno trecho.
 Feitas essas observações que elucidam o sentido de
elementos do nível mais concreto desse texto, é possível pensar
em suas relações no que é mais abstrato. O estudo do nível
fundamental parece ser o mais adequado nessa etapa  do
trabalho, pois há indícios do que poderia ser a categoria
semântica que dá conta do nível mais abstrato da significação 4
desse poema em sua constituição figurativa, portanto, no nível
mais concreto.  
A figura principal do nível discursivo, o enterro da
última quimera, é o primeiro ponto que fundamenta a escolha
da categoria vida x morte. E o fato de o sepultamento ser dessa
última, e não de outro elemento do mundo natural, também
pode ajudar a manter essa interpretação. Quimera, fantasia,
sonho, ou ilusão, ocorrem quando alguém constrói para si
próprio uma situação melhor do que a que está, algo como uma
nova vida. No caso desse texto, a quimera, que seria uma vida,
é morta, e a possibilidade de melhoria se mostra totalmente
utópica, porque ela é a última. Assim, é possível dizer que
houve inúmeros percursos narrativos, nos quais o sujeito tentou
entrar em conjunção com uma nova vida, sem êxito.
Quanto à ingratidão, paixão que aparece logo início e
serve para todo o percurso temático-figurativo do resto do
poema, também é possível afirmar que está relacionada com a
morte. E o motivo que leva a essa conclusão é o de  que ela
pode ser considerada como um comportamento social
destrutivo, de modo oposto à gratidão ou ao favor. Afinal, ela é
associada à figura de uma fera, a pantera, um animal que
representa um risco à vida do ser humano. Assim, é  possível
afirmar que a sociedade é regulada por esse tipo de
comportamento, e apesar das quimeras, talvez o anseio por
comportamentos sociais construtivos, a morte é certa, tal qual
na Natureza.
 Resta uma figura, aparentemente acessória, mas muito
importante para a compreensão do poema: o fósforo, que
possui um significado especial na obra Augusto dos Anjos.
Segundo consta em um de seus poemas, “Mistérios de um
fósforo”, a fugacidade da duração de sua luz seria muito
semelhante à da vida, e das ilusões do homem - nesse caso,
especificamente as da razão, do sentido da vida. A existência,
seja ela “espiritual” ou material, é comparada ao rápido
acender e apagar do fogo do fósforo, que serve apenas de
passagem para a matéria sem luz - talvez sem vida - em dois
estágios diferentes. Encontram-se, aqui, novamente a
concepção de ausência de sentido na vida e a comparação entre
o ser humano e a matéria.
Depois desses esclarecimentos, torna-se mais evidente o
porquê da substituição da bebida pelo cigarro. Como o fósforo
representa a fugacidade da vida ou a afirmação da morte sobre
ela, acender um cigarro pode ser interpretado como  uma
comemoração dessa afirmação – e esse é um dos pontos mais
importantes do poema.  Se na primeira e segunda estrofes, é
convincente o fato de que o comportamento socialmente 5
destrutivo, principalmente a ingratidão, é um elemento relativo
à morte, nos tercetos, acontece o mesmo com o escarro e o
apedrejamento. O que ocorre é que enquanto na primeira parte,
as figuras relativas à morte são disforizadas, na segunda, são
euforizadas.
Na primeira estrofe, a valorização da morte é
disfórica, pois o enterro, que, normalmente, carrega conotações
negativas, em nenhum momento recebe um tratamento que lhe
dê um valor diferente. Na segunda, quando se lê “Acostuma-te
à lama que te espera”, pode-se entender que ocorre  uma nãodisforização.
O verso “Toma um fósforo. Acende teu cigarro!”,
que inicia o primeiro terceto é o verso-chave, porque é a partir
dele que a morte passa a ter uma valorização eufórica,
contrariando a disforia do começo do poema. Ressalta-se que,
se o cigarro representa a fugacidade da vida, porque, inclui
dentro de si o percurso morte não-morte vida nãovida morte,
o poeta dá maior destaque ao percurso da vida à
morte, por causa da curta duração da chama em comparação
aos momentos em que ela está apagada. No texto estudado
aqui, há um processo semelhante: o “brinde do fósforo” se
encontra num percurso de disforia não-disforia euforia
da morte, de modo a servir de passagem às duas últimas etapas.
Mas esse percurso não é tão simples assim. Como o
início do poema apresenta a morte de uma última quimera, ou
seja, a ausência de esperança acompanhada da indignação
contra o comportamento socialmente destrutivo, parece que
mais do que uma mudança de valorização dos elementos da
categoria semântica fundamental, há uma euforização da
disforia. Afinal, a imagem do interlocutor é a de um sujeito
revoltado, que, ao sugerir a assunção da postura que lhe
provocou revolta, só pode fazê-lo com tom de queixa. Desse
modo, quando o escarro e o apedrejamento são tratados de
modo positivo, devem ser entendidos também como negativos.
Essa transformação da disforia simples em euforia disfórica
seria baseada num raciocínio que poderia ser resumido por: “se
as coisas são tão ruins assim, e não vão mudar, contribuamos”.
Levando em conta a presença do termo complexo
eufórico-disfórico, é possível afirmar que o devir  se dá por
meio de dois percursos, da retenção ao relaxamento  e do
relaxamento à retenção, respectivamente:  retenção
(continuação da parada) ⇒ distensão (parada da parada) ⇒
relaxamento (continuação da continuação)  e relaxamento
(continuação da continuação)  ⇒ contensão (parada da
continuação) ⇒ retenção (continuação da parada). Portanto, a
gratidão e o sonho, elementos eufóricos, são disforizados, e a 6
ingratidão e a desesperança, euforizados.  As razões que levam
o texto a seguir esse percurso se tornam mais claras com o
estudo do nível narrativo.
 O primeiro programa narrativo que aparece no texto é o do
enterro da última quimera, o qual pressupõe uma seqüência de
percursos iguais. Quando se lê “Somente a Ingratidão - esta
pantera -/ Foi tua companheira inseparável!”, é possível
afirmar que a ausência de alguém para consolar o sujeito do ser
também é uma repetição, pois a Ingratidão é uma companheira
inseparável. Associando essas duas figuras e relacionando com
a categoria semântica determinada no nível narrativo, pode-se
dizer que o objeto de valor seja algo como os ideais humanos.
Ideais, no sentido moral e ontológico. Isso porque há como se
estabelecer um vínculo entre a moral e a possibilidade da vida
não se limitar apenas à matéria, já que uma transcendência
depois da morte, além de reservar um provável castigo para os
“maus”, ainda fundamenta a hipótese de que há um bem e mal
universais. Esse vínculo, que é uma das bases do catolicismo,
aparece muito bem explicitado na frase de Dostoievski de que
se Deus não existe, tudo é permitido.
 É possível afirmar, portanto, que o sujeito do ser quer entrar
em conjunção com o objeto de valor “ideais humanos”, mas
não consegue, pois o sujeito do fazer “humanidade”, coloca-o
em disjunção. Talvez por causa dos fundamentos das  teorias
burguesas, como a do contrato social, que aparecem  nos mais
variados discursos, ele supõe que é um dever desse  sujeito
promover tal conjunção. Mas como isso não ocorre, supõe-se
uma quebra de contrato, originando, primeiramente,  a paixão
da insatisfação. Como essa situação se prolonga, pois o
percurso da disjunção se repete inúmeras vezes até  a última
quimera, o sujeito do fazer se torna um anti-sujeito,
provocando a cólera.
 Resta ainda um problema: o interlocutor indigna-se com a
situação em que se encontra o interlocutário, e não ele. O que
quer dizer que o percurso narrativo exposto acima funciona
melhor no caso deles coincidirem, fazendo do poema  algo
como um solilóquio. Assim, no nível discursivo, tem-se um
homem que perde suas últimas esperanças, e sofrendo com
elas, não acha ninguém que possa consolá-lo. Indigna-se com
essa situação, na qual não é a primeira vez que se  encontra,
esbraveja consigo. Enfim, visto que a sociedade só  funciona
por meio do comportamento destrutivo, ele resolve assumi-lo,
depois de se repetirem tantas vezes os momentos em  que lhe
demonstraram ingratidão.
 Excepcionalmente, a cólera desperta uma paixão semelhante
à do conformismo, porque o ator se propõe a assumir as 7
características sociais vigentes, mesmo elas sendo reprováveis.
Talvez haja também uma espécie de vingança, porque quando
se diz que qualquer pessoa que se compadeça dos problemas
do sujeito eu lírico deve ser punida, para que a gratidão seja
extirpada, e a ingratidão instaurada em sua plenitude, cria-se
uma situação, na qual a reação ao problema é a mesma ação do
próprio problema: o modo como a sociedade se configurou
teria feito dos homens feras, e o indivíduo específico do
poema, apesar de não ter dado nenhuma contribuição para isso
(afinal ele se acha vítima de ingratidão), padece disso. Ora,
formulando o imperativo de que qualquer pessoa que  se
demonstrasse boa deveria ser maltratada, o interlocutor
constrói o mesmo percurso, mas dessa vez, sendo sujeito dele,
e modificando a relação fórica, talvez para restituir perda.
 Note-se que, desse modo,  comprova-se a tese de que “O
Homem, que, nesta terra miserável, mora, entre feras, sente
inevitável necessidade de também ser fera”. O texto todo pode
ser interpretado como uma figurativização dessa
inevitabilidade social, o que é muito coerente com  o resto da
obra do enunciador. Se o discurso determinista de Augusto dos
Anjos retira o sentido humano da natureza, ele também
“naturaliza” o homem, sempre sob os olhos da Ciência. E
assim, a sociedade aparece como um grande sistema, tal qual
os da química ou da física, formado por regras determinadas e
determinadoras, cujos elementos são os homens, dirigidos por
suas necessidades biológicas e psicológicas.  


Nascimento Enterro
Quimera Pesadelo
Gratidão Ingratidão
Animal dócil Fera (pantera)
- (limpeza)  Lama (sujeira)
Beijo Escarro
Mão que afaga Mão que apedreja
(A ingratidão é considerada, aqui, como figura, porque, no
poema, trata-se de uma personificação: a Ingratidão que
comparece ao enterro e é companheira inseparável. O fósforo
não é citado, porque é um termo complexo. Seu acender e
apagar representa a fugacidade da vida, mas é somente a cinza
apagada que tem relação direta com a morte. A acesa,
evidentemente, se associa à vida.)
           REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANJOS, Augusto dos (1996). Obra Completa. Rio de Janeiro,
Aguilar.
BARROS, D.L.P. de.(1988). Teoria do discurso: fundamentos
semióticos. .São Paulo,  Atual.
FIORIN, J. L. (1989). Elementos de análise do discurso. São
Paulo, Contexto/EDUSP.
_____ (1996). As astúcias da enunciação. São Paulo, Ática.
GREIMAS, A. e outros (1975). Ensaios de semiótica poética.
São Paulo, Cultrix/EDUSP.
PIETROFORTE, Antônio Vicente Seraphim (2003). “Ação e
paixão no esquema
        narrativo”. In:  Cadernos de discussão do centro de
pesquisas sociossemióticas.
        São Paulo, PUC.
SCHOPENHAUER, Arthur (1966). O mundo como vontade e
representação.
         Rio de Janeiro, Edições de Ouro.


O MORCEGO

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica dasede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede...”
-- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme -- este operário das ruínas --
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

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